domingo, 17 de junho de 2007

No segundo dia, a noiva troca o branco pelo vermelho o qual representa a transformação, não só na aquisição de responsabilidade de mulher perante a tradição, mas também a modificação ocorrida em seu próprio corpo - himem rompido seguido da exibição do sangue, cuja lembrança levará por toda sua jornada. É neste momento vermelho que a mulher assume sua condição de cigana, membro integrante da sociedade, responsável pela perpetuação da espécie e da tradição de seu povo. Nesse segundo dia, toda atenção está voltada para ela, a qual já provou ter usado seu corpo de acordo com os ditames da sociedade. O noivo fica em segundo plano, pois sua atuação em relação aos assuntos elucidados aqui é de pouca importância deste que esse pode se unir a uma mulher não cigana. É nesse segundo dia também que a noiva estreia seu lenço vermelho. Tudo o mais, no ambiente segue o tom vermelho. As flores distribuídas por ela , aos convidados são retribuídas, por esses, com uma quantia em dinheiro. O ouro reluz nesse ambiente vermelho, cor da sensualidade, da sorte, da beleza e da felicidade em si, dando um ar de exuberância em todos os componentes os quais integram este ambiente. Esta é a cena que mais retrata o povo cigano, que por algum milagre sobreviveu às vicissitudes da vida, transformando sua dor em melodia, dança, festa e poesia. São donos de uma leveza e sublimidade que não encontramos em nenhuma outra raça, oriundas talvez de sua mediunidade - arte de enxergar através do tempo.

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