O POVO CIGANO: UM MUNDO FORA DA HISTÓRIA
"Os ciganos são os novos judeus da nova europa, com uma distinção fundamental: enquanto os judeus montaram uma grande indústria da memória das perseguições que sofreram, os ciganos tem como base de sua cultura a arte de esquecer" Isabel Fonseca - adaptação
Há vários indícios de que os ciganos são oriundo da Índia como por exemplo: inúmeras palavras com o mesmo significado existente entre o Sânscrito( idioma falado na Índia Antiga) e o Romani( idioma falado pelos ciganos), mas também a pele morena, o gosto pelas variedade de cores, os adornos em ouro, sua crença na reencarnação, seu apego às tradições e acima de tudo, seu modo pacífico de levar a vida e sua memória coletiva.

É certo de que os romas não se tornaram nômades por vontade própria. Há quem diz que foram obrigados ao nomadismo devido aos ataques árabes e há também quem diz que se tornaram nômades pelo fato de que pertenciam a uma casta inferior da Índia Antiga, a casta dos párias, onde ficavam expostos a serviços muito degradantes, o que ocasionou sua fulga para vários lugares da Europa, levando-os, consequentemente, ao estilo de vida nômade.
Foi a única invasão de terras, do planeta, realizada de modo pacífico, sem nenhuma violência. Eram bem recebidos nas cidades onde chegavam. Os chefes das tribos se apresentavam de maneira pomposa dizendo que eram duques ou condes( títulos inexistentes entres os ciganos) e que eram peregrinos vindos do Egito, obtendo assim licença, das autoridades, para se instalarem.
Como nômades trabalhavam como ferreiros, domadores, criadores e vendedores de cavalos, comerciantes e especialmente com a arte advinhatória.
Foram, porém, perseguidos, julgados e expulsos ao longo de seu pacífico caminhar: para não ter a infelicidade de aqui ter que debulhar atrocidades, sofridas por eles, basta lembrar de que eram vidêntes e que viviam na Europa, na época da inquisição. Logo após a inquisição, vieram os etnólogos fascistas a lhes catalogar genealogias, no pós guerra. Chegaram a compartilhar florestas com os judeus, conforme textos escritos pela compositora e cantora Papusza, cigana búlgara que teve seu apogeu na década de 40, a qual tinha o costume de escrever sobre seu povo de maneira nostálgica e a mencionar vagamente a ameaça do mundo gadjikame, chegou a escrever também sobre "Ashfitz". Um poeta polonês descobriu Papusza e escreveu um livro traduzindo, para o polonês, suas história que havia penosamente registrado em língua romani. O poeta Ficowski publicou seus poemas na revista Problemy, sem reconhecer a sua autoria. Papusza foi altamente repreendida pelos roma, declarada mabrime( impura) e excluída do grupo. Papusza após passar por uma internação no hospital psiquiátrico da Silésia, viveu 34 anos sozinha esquecida por sua geração e ignorada pela geração seguinte, até sua morte em 1987. Papusza chegou a traduzir a "Internacional Comunista" para a lingua romani, em 1950, mas somente em 1989 surgiram os primeiros partidos políticos ciganos e os primeiros representantes, membros do parlamento, delegados a ONU. Na Romênia e Macedônia existem programa de televisão em Romani, editores de jornais e revistas, sendo uma das melhores editadas por Kosovan Rom, da Iuguslávia, chamada Patrin. A chegada da democracia nada mudou na vida dos roma. "A política secreta continua. O cerrado espinheiro de proibições - a cerca viva cigana - continua intacto." Os gadje estarão sempre externos à sua história.

Quanto aos seus direitos, não há ainda, no Brasil, texto legal dirigidos explicitamente a eles. Eles estão englobados ao texto legal por palavras, como por exemplo, minorias étnicas. A legislação brasileira se preocupou mais com os índios e com os negros do que com as outras minorias. O que nos dá esperança é que o número de textos, embora bastante repetitivos, escritos com relação ao povo oriundo do "mundo das cores", vem crescendo consideravelmente, o que implica uma tomada de consciência da humanidade a respeito desta minoria, a qual sem o apoio dos gadjé acabarão por mais existir.
HINO DOS CIGANOS
Gelem Gelem - O Hino Cigano - consagrou-se oficialmente durante o Primeiro Congresso Cigano em 1971 em Londres, como o Hino Internacional dos Ciganos uma adaptação feita em uma canção popular cigana dos países europeus, com versos inspirados nos ciganos que foram reclusos nos campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial de autoria do Rom yugoslavo Jarko Jovanovic, de nome DGELEM, DGELEM. Cuja letra segue abaixo em romany e em seguida traduzida para o português para conhecimento de seu conteúdo.
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Dgelem, Dgelem
Dgelem, Dgelem lungone dromentsa
Maladjilem bhartalé romentsa
Ai, ai, romale, ai shavalê (bis)
Naís tumengue shavalePatshiv dan man romale
Ai, ai, romale, ai shavalê (bis)
Vi mande sas romni ay shukar shavê
Mudarde mura famíliaLê katany ande kale
Ai, ai, romale, ai shavalê (bis)
Shinde muro ilôPagerde mury lumaAi, ai, romale, ai shavalê (bis)
Opré RomáAven putras nevo dromoro
Ai, ai, romale, ai shavalê (bis)
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Em Português
Caminhei, caminhei longas estradas
Encontrei-me com romá (ciganos) de sorte
Ai, ai ciganos, ai jovens ciganos
Obrigado rapazes ciganos
Pela festa louvor que me dão
Eu também tive mulher e filhos bonitos
Mataram minha família
Os soldados de uniforme preto
Ai, ai ciganos, ai jovens ciganos
Cortaram meu coração
Destruíram meu mundo
Ai, ai ciganos, ai jovens ciganos
Pra cima Romá (Ciganos)
Avante vamos abrir novos caminhos
Ai, ai ciganos, ai jovens ciganos!!!
Um comentário:
Nossa muito bonito esse hino, conheci seu blog w adorei
beijão Luciana Farias
magiaemsuavida.blogspot.com
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